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Estudos ecológicos

Para quem se interessa pelos detalhes científicos, segue abaixo o relatório extraído de uma pesquisa realizada no Delta do Parnaíba em 1981 pelas Universidades de São Paulo e Universidades Federais do Piauí e Ceará. Sob a coordenação de Valdemar Rodrigues, da Universidade do Piauí, os estudos ecológicos também contaram com a colaboração do botânico Afrânio Gomes, do Ceará, e do zoólogo Luiz Dino Vizzoto, da Universidade Estadual Paulista de São José do Rio Preto.

 

Dunas

O movimento das areias e a formação de novos amontoados de quartzo causam sérios problemas no litoral piauiense, como moradias destruídas, estradas e plantações soterradas. Outro grande problema surge com o cultivo de pastagens para a criação de animais. A destruição dos solos é certa e é ilusório julgar que a fixação e a conservação das dunas nessas áreas possa resolver a situação. A vegetação, nesse caso, tem muita importância na conservação dos solos e mais ainda quando se trata de solos de equilíbrio extremamente frágil como os das areias das dunas. Vale lembrar que o uso da terra de acordo com sua aptidão é fundamental para que isso não volte a surgir no futuro.

 

Mangues

Na parte sul da Ilha, estão os mangues de água salgada e salobra que recobrem 35% da área da Ilha do Caju. Os passeios no interior dos mangues e igarapés são feitos em canoas e barcos pequenos, com freqüente uso de remos para que o barulho de motor não espante a rica fauna da região. O peixe quatro-olhos é o mais encontrado. A principal característica dele são os dois grandes olhos saltados para fora. A metade superior está adaptada para ver fora d’água e a metade inferior para ver dentro. Ainda vivem por lá muitos guarás , socós , martim-pescadores , macacos prego (que se alimentam de caranguejos), guaxinins e cobras . Os baiacus , capazes de inchar até parecerem bolas de futebol, também são moradores do mangue assim como o caranguejo-uçá . Essa espécie é muito procurada pelos pescadores que capturam os caranguejos ainda jovens para o comércio. Outro ponto que deve-se ressaltar é a quantidade de exemplares coletados por área. São várias levas de caranguejos-uçá num mesmo lugar o que acarreta a diminuição em massa e a conseqüente extinção. Os manguezais também estão ameaçados pelas plantações de arroz, a criação de gado e a retirada de madeira para carvão. Diminuindo-se o ecossistema, acontece a redução da fonte alimentícia dos caranguejos o que leva a evasão ou morte da espécie.

     

    BOX: O captura do caranguejo-uçá no litoral do Maranhão ocorre nos meses de novembro a março. Nesse período acontece a reprodução da espécie e os caranguejos ficam mais vulneráveis. Ou seja, a pesca acontece na fase em que deveria a todo o custo ser evitada. Outros pontos críticos mostram que além de os exemplares jovens serem levados, dificultando mais tarde a reprodução; ainda ocorre a captura em massa numa mesma área. Surge o perigo da extinção principalmente pelo crescimento descontrolado e de caráter predatório.

 

Praias

São depósitos de areias acumuladas pelos agentes de transportes fluviais ou marinhos. As praias representam faixas de grãos de quartzo, apresentando uma largura maior ou menor, em função da maré. Essas faixas de areia se estendem por todo o litoral brasileiro e abrigam diversas espécies vegetais entre elas:

  • Alecrim da Praia: planta muito comum que contribui para a fixação de dunas
  • Salsa-da-Praia: existe sempre em companhia do Alecrim da Praia e tem também um grande poder de fixar dunas, além de ser medicinal.
  • Cipó Chumbo: é um dos parasitos mais frequentes da vegetação arbiustiva e arbórea, em toda a região litorânea ;
  • Guajeru: fruta nativa que poderia ser melhorada como fruta de mesa. Alcança porte de até 10 metros ;
  • Chanana: flor silvestre mais abundante e característica da região . Desabrocha as 6 horas e fecha regularmente por volta das 11 horas , daí ser também conhecida como "onze horas" ;
  • Algodão de Seda: os pelos constituem matéria prima para travesseiros e almofadas ;
  • Coqueiro-da-Praia , Oiti da praia , Cajueiro e Mangabeira: são espécies predominantes e de alto valor econômico.

As praias e restingas do Nordeste brasileiro também possuem uma fauna muito rica formada por conchas, pequenos crustáceos, pulga da praia, maria farinha, tatuzinho-da-areia, entre outros.

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