
Foto da época
do Ciclo da Carnaúba
Porto
Salgado/Porto das Barcas - Parnaíba - Piauí
Descoberta do Delta do Rio Parnaíba:
O
primeiro a desbravar a região foi o navegante português Nicolau de
Resende, em 1571, que perdeu toneladas de ouro em um naufrágio no litoral
do nordeste do Brasil. O acidente foi próximo à foz do rio Parnaíba, que
divide os estados do Piauí e Maranhão. Por 16 anos tentou, em vão,
resgatar sua preciosa carga. Mas descobriu um tesouro ainda maior : "um
grande rio que forma um arquipélago verdejante ao desembocar no atlântico".
Nicolau havia descoberto o único delta em mar aberto das américas, o delta
do rio Parnaíba. A foz do rio tem a forma de delta (a letra grega,
representada por um triângulo), se dividindo em 5 braços. Outros deltas em
mar aberto ou oceânicos ocorrem na foz dos rios Nilo (África) e Mekong (Ásia).
Araioses
No
povoado de Carnaubeiras, no interior de Araioses, está a maior comunidade
de catadores de caranguejo do país. Praticamente toda a produção é
exportada, sem controle, através do Parnaíba (Piauí) para Fortaleza (Ceará)
onde o produto é vendido por um valor até dez vezes superior ao que
recebem os pescadores.
Parnaíba
Por volta de
1669 Leonardo de Sá e alguns companheiros desbravam a região onde hoje está
localizada a cidade de Parnaíba e ganham, em virtude do feito, um sesmaria
de terra nas margens daquele rio. Em 1758, o português Domingos Dias da
Silva inicia o comércio de charque (gado) e através dos navios de sua
propriedade fazia a importação e exportação do produto com outros
estados do Brasil e com vários países da europa como Portugal e Espanha. O
negócio cresceu tanto que o lugar ficou conhecido como "Porto das
Barcas". Ao redor do Porto foram construídos diversos armazéns que
estocavam as mercadorias importadas e para exportação. A origem e
desenvolvimento do Parnaíba está diretamente ligado a esse comércio.
Pelos idos de
1940 acontece a queda da demanda pela cera de carnaúba e do babaçu no
mercado internacional, o início da construção da rodovias, levando a
decadência o Porto das Barcas. A cidade transformou-se em centro coletor de
produtos extrativos vegetais e abriga um leque de modernas indústrias que
exploram desde o setor primário até as atividades turísticas.
A
Parnaíba viveu seus anos de glória com a corrida da carnaúba quando o
famoso Porto das Barcas era utilizado para escoar as mercadorias que seriam
exportadas e receber a importações. Isso aconteceu há menos de 50 anos
quando a cidade era considerada uma das mais importantes do Piauí e
utilizar o rio Parnaíba como caminho principal para o escoamento da produção,
advinda de outros municípios. A criação de gado é atividade fundamental
já no litoral reinam as atividades pesqueiras. Hoje Parnaíba é a maior
cidade da região deltáica e considerada o centro receptor e difusor do
desenvolvimento da região. Possui uma infra-estrutura urbana com hospitais,
escolas, campus da UFPI (Universidade Federal do Piauí), UEPI (Universidade
Estadual do Piauí), comércio, e uma rede hoteleira. Outras cidades, como
Luís Correia – que tem sobrevivido das atividades turísticas, Araioses e
Tutóia dependem da infra-estrutura já implantada em Parnaíba.
São Luís/Alcântara
Curiosidade:
Alcântara
fica a apenas uma hora de barco de São Luís e seus habitantes vivem num
ritmo pacato e único, misturando passado e presente. Mas no mês de maio a
paisagem se modifica. Aí acontece a Festa do Divino, são doze dias de
animação quando um império de magia e ficção é criado e todos os
poderes são dados às crianças, louvando ao Espírito Santo e em homenagem
ao Império. Licores e doces de espécies são servidos à vontade, criando
rituais de cortejos que desfilam pelas ruas e casas ao som de cânticos
religiosos. Assim também é a festa em homenagem ao santo protetor do
escravos, São Benedito, no mês de agosto. Misturando a religiosidade cristã
com a africanidade do tambor da Crioula, dança muito divertida que tem como
objetivo o pagamento de promessas; praticada predominantemente por
descendentes africanos e com acentuada participação das mulheres.
A terra
escolhida para ser a base de uma possível colônia francesa, no século
XVII, é hoje a mais portuguesa das capitais brasileiras. Desse povo restou,
apenas, o nome São Luís, que poderia ser mais uma Saint-Louis, homenagem
ao rei Luís XIII, que ordenou a tomada da ilha. Fundada em 1612, sob o
comando de Daniel La Touche, senhor de La Ravardière, o sonho de uma
capital para a França Equinocial durou muito pouco. Foi em Alcântara que há
300 anos, os portugueses se prepararam para retomar São Luís dos
franceses. Logo a Uapon-Açu (Ilha Grande para os tupinambás) foi atacada
pelos lusitanos, que dela se apossaram, expulsando os franceses em 1615. Os
holandeses tentaram tomá-la em 1641, sendo expulsos três anos depois. E
foi graças aos portugueses e ao rico acervo arquitetônico que ergueram, o
maior e mais homogêneo da América Latina, que São Luís teve seu valor
reconhecido mundialmente ao receber da Unesco – Organização das Nações
Unidas para Educação, Ciência e Cultura - o título de Patrimônio Histórico
da Humanidade, no final de 1997. No século passado, a capital do Maranhão
foi até chamada de "La Petite Ville aux Palais de Porcelaine"
(Cidadezinha dos Palácios de Porcelana). A cidade tornou-se capital da
aristocracia rural maranhense servida por 8 mil escravos, cujos descendentes
são hoje a maioria de sua população.
Alcântara
está lá do outro lado da Baía de São Marcos, que separa São Luís do
continente. A capital era moradia dos índios Tupinambás quando chegaram os
franceses e acabou tornando-se sede da aristocracia rural, numa época em
que floresciam os engenhos de açúcar, a extração de sal, o cultivo de
arroz e algodão. Mas aos poucos, São Luís foi crescendo em importância
econômica e Alcântara viu chegar a decadência que faria sobrados, igrejas
e palácios se transformarem em ruínas. Mas a grandeza do passado ficou no
valioso e belo conjunto arquitetônico com mais de 300 prédios. A cidade
foi tombada como Cidade-Monumento em 1948. A sete quilômetros da parte histórica,
está sendo implantada a mais moderna Base Espacial da América Latina, que
já desenvolve projetos de alta tecnologia.
Colonização
A história
começa em 21 de abril de 1724, quando o governador geral do Maranhão, João
da Maya da Goia, concedeu a primeira sesmaria do Delta do Parnaíba aos índios
Tremembés, interessado em mantê-los como aliados diante de qualquer
necessidade. Os índios aceitaram a proposta sem saber que suas terras
abrangiam, apenas, a metade norte da Ilha. Em 1728, o governador Alexandre
de Souza Freira doou as terras do sul a um rico português.
A colonização
do sertão foi tardia, em relação ao litoral. O povoamento começou em
meados do século XVIII, com a expansão da frente pastoril baiana. Com a
chegada dos novos colonizadores, o velho mundo pastoril vai aos poucos se
desmoronando. A tradição permanece em algumas regiões mais isoladas e em
tribos indígenas, como no caso dos índios Canelas, que vivem a 80KM do
centro de Barra do Corda.
São Luís
teve uma prosperidade econômica que iniciou-se na segunda metade do século
XVIII, com a fundação da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do
Maranhão, responsável pela introdução e expansão do algodão, destinado
a abastecer as tecelagens inglesas. Em 1774 o Maranhão separou-se do Pará
para formar uma nova província do Império. Porém, a pujança econômica não
foi eterna. Estagnada no início desse século, viu crescer o êxodo rural.
O comércio do babaçú, nos anos 30. Não conseguiu resgatar os lucros
perdidos. No centro histórico, os gloriosos casarões começaram a
deteriorar-se. As boas novas vieram com o Projeto Reviver, que desde 1978
angariou 85 milhões de dólares para recuperar o centro histórico.
Conhecida como "Atenas Brasileira" no século XIX, a cidade
orgulha-se até hoje de apresentar o português mais bem falado do país.
Ainda que tenha sido a única capital fundada por franceses.
Índios
Curiosidade:
Karapiru
é o exemplo mais impressionante da força e resistência dos índios Guajá.
Com o ataque de fazendeiros ao seu grupo, em 1978, fugiu para a mata e só
foi encontrado 10 anos depois, no sul da Bahia. A história de todos esses
anos de solidão e luta pela sobrevivência, teve um final ainda mais
espetacular. Levado a Brasília, foi identificado por um intérpret,e como
pertencente a tribo dos Guajá. Para espanto de todos, Txiramuku, o intérprete,
era o próprio filho de Karapiru, que durante o ataque à família , quando
tinha 8 anos de idade, ficou preso numa cerca de arame, sendo resgatado e
entregue à Funai. Hoje Karapiru vive no Posto Awá e tenta se adaptar
novamente à vida em grupo.
Lendas:
Os pajés dos
Tremembés, vendo o extermínio do seu povo, lançaram uma maldição contra
a Vila de Tutóia: a cidade seria lentamente enterrada pela areia. A maldição
pegou e desde então, a cidade sofre o avanço das dunas.
Os índios
Tremembés foram os primeiros ocupantes da Ilha do Caju, denominada de Pará-Mirim
e Punaré. Diz a história que eram valentes guerreiros temidos em todo o
delta, além de excelentes nadadores e mergulhadores, o que lhes valeu o
apelido "Peixes Racionais". Diz a lenda que eram capazes até de
agarrar tubarões com as mãos. Em 1669, Leonardo de Sá e seus companheiros
desbravaram a região do Rio Igaraçu e a Serra Ibiapaba, colonizando os índios
Tremembés e toda a região. Os pouquíssimos Tremembés descendentes que
sobreviveram às chacinas do passado estão ilhados em pequenas vilas,
esquecidos como nunca.
A 300 Km de São
Luís, existe uma tribo indígena que até o início dos anos 80 não haviam
tido qualquer contato com o homem branco. Eles têm o costume de cantar e
dançar em volta de uma takaia (cobertura feita com palhas de babaçu) onde
acontece o ritual da karawarakaia, espécie de preparação espiritual para
a caça. Esta é a aldeia onde vivem os 107 índios Guajá, na Área indígena
Caru. O que mais impressiona, é como eles, considerados um dos povos mais
primitivos do planeta, estão conseguindo manter sua integridade física e
cultural em meio a tanta destruição. Os Guajá têm na caça e coleta a
base de sua subsistência. Não falam português, só tupi-guarani. Outras
tribos também estão ameaçadas como os Guajajara, Urubu-Kaapor, Tembé,
Timbira, Krikati e Gavião.
Negros
Dos antigos
quilombos sobraram apenas 350 comunidades negras rurais que povoam todo o
Maranhão. Duas característica são marcantes em todos os habitantes: o
convívio harmonioso com o meio ambiente e o usufruto comum da terra.
Alguns
projetos estão sendo desenvolvidos entre o Governo do Estado e a Sociedade
Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos para recuperar o patrimônio fundiário
e cultural de 11 comunidades e implantar projetos que visam sustentar e
garantir o usufruto coletivo da terra e ainda manter seus costumes, tradições
e um relacionamento equilibrado com o meio ambiente.
O Maranhão
é o terceiro estado brasileiro em incidência de população negra. Eles são
oriundos da costa da África e participaram ativamente no processo histórico
do estado, que contou com a presença de maciça mão de obra escrava nas
fazendas de açúcar, algodão e arroz.